quinta-feira, 25 de abril de 2013


Depoimentos de leitura e escrita                                     
                     Meninas lendo - Tomás Santa Rosa ( Brasil, 1909-1956) óleo sobre tela

       Meu primeiro livro...Ganhei  aos 6 anos, dos meus pais que sempre incentivaram a leitura. Era o livro chamado, "A gata borralheira". Lindo, colorido, ilustrado com lindas figuras que levavam  minha imaginaçõo a acreditar que era mesmo tudo real. Gostava de sentir o cheiro do livro novo... Como não sabia ler ainda, minha mãe lia e relia o quanto fosse necessário. Depois, ganhei outro, mais outro e foi assim  até formar uma coleção maravilhosa dos contos de fada. Vieram meus irmãos, e eu como era a mais velha, já alfabetizada aos 7 anos, lia para eles incansavelmente. Lembro-me de um fato engraçado: não conseguia ler a palavra "alguém"...escrevê-la era mais complicado ainda!  Ficava então, o dia  inteiro pronunciando essa palavra...E quando eu trocava o final da história! Era surpreendente, eu era muito criativa e meus irmãos diziam: “mas isso não está na história de verdade!”
   Hoje,depois de tantos anos, tenho essas lembranças e muitas outras, vivas na memória. Com dois filhos, sobrinhos, a profissão de professora, incentivo-os a sair um pouco da nossa realidade e viajar para o mundo da imaginação.     Autora: Iolanda Soldatti


                                   Minhas primeiras leituras...
      Ah! Quantas saudades da bisa Maria que ficava a fiar histórias de sua longínqua infância e juventude, filha de escravos que era, tinha muitas, muitas histórias de aventuras, de sofrimentos, de amores proibidos, contava que junto com o meu bisavô Júlio, fugiam a cavalo pelas praias baianas, repletas de coqueirais para namorar, longe dos pais e dos Coronéis, embora já fossem livres. Eu ficava a imaginar a beleza dessas praias e não sei porquê o cavalo, embora minha bisa não mencionasse a cor, para mim, era branco e belo... é claro, como nos contos de príncipes e princesas. As tardes fogosas, cheirando a café e bolo de laranja, eram ainda mais valorosas com as histórias que me enredavam e via-me nessas histórias.
     Na escola lembro-me do livro “Meu pé de Laranja Lima” de José Mauro Vasconcelos, foi de uma emoção e desconfortantes lágrimas, via-me no papel do menino, solitário, incompreendido, aparentemente mal amado e tinha como fiel amigo um pé de laranja lima e eu um pé de manga, lindo, maravilhoso, meu refúgio, um espaço só meu. Essas são as minhas deliciosas primeiras experiências com leituras.
     Minhas experiências com a escrita não foram tão marcantes, antes de ir à escola gostava de escrever (rabiscar) nos livros do meu pai, segundo ele, sua Bíblia era toda rabiscada por mim - minhas primeiras escritas. Na escola foi um caos, infelizmente; lembro-me de juntar palavras m+a = ma, enchia páginas e mais páginas, isso no primário, já no ginásio o sofrimento era maior, as aulas de redação era um sofrimento só, a professora colocava na lousa vários títulos: Uma lágrima / O livro /  Quem sou? / Uma gota no oceano / Analogias da cidade grande / Minhas férias e outras tantas... E não conseguia escrever além de um parágrafo e tinha que ter “começo” “meio” e “fim”...Que tristeza... !  
Autora: Graciana B. Cunha



Conforme Chauí “Ler é suspender a passagem do tempo: para o leitor, os escritores passados se tornam presentes, os escritores presentes dialogam com o passado e anunciam o futuro.” Assim eu entendo a leitura. Lembrar-me das horas que eu passava na Biblioteca Municipal de minha cidade, São Caetano do Sul, lendo as histórias de Sherazade “Os contos de mil e uma noites” e procurando entender o diálogo que se estabelecia entre minhas fantasias de adolescente e a ficção. As coleções de Monteiro Lobato, “devoradas” literalmente por mim naqueles momentos, pois em casa tinha poucos livros. As histórias de terror contadas à noite, em roda, por uma vizinha negra, descendente de escravos! Esse o verdadeiro prazer da leitura, sentir-se suspenso e mergulhar nas palavras..                 Autora: Irene Rio Stéfani






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