Meninas lendo - Tomás Santa Rosa ( Brasil, 1909-1956) óleo sobre tela
Meu primeiro livro...Ganhei aos 6 anos, dos meus pais que sempre
incentivaram a leitura. Era o livro chamado, "A gata borralheira".
Lindo, colorido, ilustrado com lindas figuras que levavam minha
imaginaçõo a acreditar que era mesmo tudo real. Gostava de sentir o cheiro do
livro novo... Como não sabia ler ainda, minha mãe lia e relia o quanto fosse
necessário. Depois, ganhei outro, mais outro e foi assim até formar uma
coleção maravilhosa dos contos de fada. Vieram meus irmãos, e eu como era
a mais velha, já alfabetizada aos 7 anos, lia para eles incansavelmente.
Lembro-me de um fato engraçado: não conseguia ler a palavra
"alguém"...escrevê-la era mais complicado ainda! Ficava então,
o dia inteiro pronunciando essa palavra...E quando eu trocava o final da
história! Era surpreendente, eu era muito criativa e meus irmãos diziam: “mas
isso não está na história de verdade!”
Hoje,depois de tantos anos, tenho essas lembranças e muitas
outras, vivas na memória. Com dois filhos, sobrinhos, a profissão de
professora, incentivo-os a sair um pouco da nossa realidade e viajar para o
mundo da imaginação. Autora: Iolanda Soldatti
Minhas primeiras leituras...
Ah! Quantas saudades
da bisa Maria que ficava a fiar histórias de sua longínqua infância e
juventude, filha de escravos que era, tinha muitas, muitas histórias de
aventuras, de sofrimentos, de amores proibidos, contava que junto com o meu
bisavô Júlio, fugiam a cavalo pelas praias baianas, repletas de coqueirais para
namorar, longe dos pais e dos Coronéis, embora já fossem livres. Eu ficava a
imaginar a beleza dessas praias e não sei porquê o cavalo, embora minha bisa
não mencionasse a cor, para mim, era branco e belo... é claro, como nos contos
de príncipes e princesas. As tardes fogosas, cheirando a café e bolo de
laranja, eram ainda mais valorosas com as histórias que me enredavam e via-me
nessas histórias.
Na escola lembro-me do livro “Meu pé de Laranja Lima” de José Mauro
Vasconcelos, foi de uma emoção e desconfortantes lágrimas, via-me no papel do
menino, solitário, incompreendido, aparentemente mal amado e tinha como fiel
amigo um pé de laranja lima e eu um pé de manga, lindo, maravilhoso, meu
refúgio, um espaço só meu. Essas são as minhas deliciosas primeiras
experiências com leituras.
Minhas experiências com a escrita não
foram tão marcantes, antes de ir à escola gostava de escrever (rabiscar) nos
livros do meu pai, segundo ele, sua Bíblia era toda rabiscada por mim - minhas
primeiras escritas. Na escola foi um caos, infelizmente; lembro-me de juntar
palavras m+a = ma, enchia páginas e mais páginas, isso no primário, já no
ginásio o sofrimento era maior, as aulas de redação era um sofrimento só, a
professora colocava na lousa vários títulos: Uma lágrima / O livro / Quem sou? / Uma gota no oceano / Analogias da
cidade grande / Minhas férias e outras tantas... E não conseguia escrever além
de um parágrafo e tinha que ter “começo” “meio” e “fim”...Que tristeza...
!
Autora: Graciana B.
Cunha
Conforme Chauí “Ler é suspender
a passagem do tempo: para o leitor, os escritores passados se tornam presentes,
os escritores presentes dialogam com o passado e anunciam o futuro.” Assim eu
entendo a leitura. Lembrar-me das horas que eu passava na Biblioteca Municipal
de minha cidade, São Caetano do Sul, lendo as histórias de Sherazade “Os contos
de mil e uma noites” e procurando entender o diálogo que se estabelecia entre
minhas fantasias de adolescente e a ficção. As coleções de Monteiro Lobato,
“devoradas” literalmente por mim naqueles momentos, pois em casa tinha poucos
livros. As histórias de terror contadas à noite, em roda, por uma vizinha
negra, descendente de escravos! Esse o verdadeiro prazer da leitura, sentir-se
suspenso e mergulhar nas palavras.. Autora: Irene Rio Stéfani
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