quarta-feira, 24 de abril de 2013

Memórias...ainda que inventadas, como nos sugere Manoel de Barros, nos constituem.
Aqui algumas memórias de alguém que não entendia muito bem onde a escola entrava no meu "mundo dos livros".

Ainda criança, lembro que adorava ouvir histórias de terror, como morava em uma cidade calma do interior, passava as noites brincando com meus vizinhos na rua e nossas mães ficavam sentadas na calçada conversando e observando o que estávamos fazendo. E quase todos os dias uma mãe nos reunia na calçada e contava uma história que elas diziam "do tempo de nossas avós". Essas histórias eram assustadoras e eu acreditava e tudo! Tinha certeza que existia lobisomem e que no sítio as coisas eram assutadoras.

E foi assim que entrei para a escola, cheia de imaginação, mas não me lembro de desenvolver muito a imaginação com a leitura na escola. Minha mãe me levava à biblioteca municipal, mas meus pais não tinham muito o habito de ler em casa, estavam sempre trabalhando, mas minha imaginação continuava ali, quietinha.

A escola me pedia para ler coisas das quais eu não me interessava muito, como A viuvinha e Cinco Minutos e não me lembro de nenhuma discussão em sala de aula que me fizess entender algumas relações entre a vida e a literatura, até que as músicas invadiram meus livros didáticos de português no Ensino Médio. Através das letras de música era muito divertido analisar as emoções e as características humanas presentes nos relatos e daí, para me interessar por livros e por como a literatura pode ser um mundo a se descobrir foi um instante. Mas, infelizmente, a escola não contribuiu muito para que eu entendesse e me apaixonasse pelo "mundo das palavras" e acredito que possa ser porque, na escola, a literatura é transformada em exercícios.

Entendo que exercícos de fruição são necessários, mas será que a escola consegue realizá-los com eficácia?

Ah, hoje em dia já não posso mais "me saber" sem o auxilio da literatura!

Professora Luciana Cressoni